Boa tarde. Depois de alguns dias meio fora do ar, volto a este espaço para refletir um pouco sobre o texto de Felipe Machado “Caiu a casa da Mega Sena” e sobre algumas coisas que andaram ocorrendo na imprensa gaúcha e nacional nas últimas semanas.
Primeiro, Felipe Machado, que eu, particularmente, não sabia nada sobre essa história. Tenho dois empregos, uma faculdade, uma família, um sobrinho e muitas contas e me informo, basicamente, pela internet. Pois não vi esta informação em nenhum lugar. Nenhum mesmo. Bem, algum motivo isso tem.
Assim como existem vários motivos para que o Governo Federal reajustasse impostos, agora há poucas semanas também, sobre as chamadas bebidas quentes. Ou seja, destilados e afins. Mas, por qual motivo a cerveja não teve seus tributos reajustados? Hum....
Bem, vamos então ao terceiro caso. Também há algumas semanas a governadora Yeda Crusius teve um reajuste de 143% aprovado pela Assembléia Legislativa. Na sexta-feira passada, à noite, me encontrei com alguns amigos em um bar de Garibaldi. Sabem como é. Tomar aquela cervejinha básica – sem reajustes. Quando perguntei se eles tinham conhecimento sobre o assunto fiquei surpreso com a expressão em suas faces. Nenhum tinha ouvido falar nisso. Em nenhum jornal, emissora de televisão e por aí em diante. Mas... Por quê?
Será que o caso Mega Sena, o reajuste apenas sobre bebidas quentes – já vou me deter mais neste assunto – e o reajuste da governadora não são assuntos importantes? Afinal, não estavam em destaque na pauta de veículos gaúchos.
Mas, aí me questiono sobre outra coisa. Será que as pessoas realmente querem ficar sabendo disso? Sabem, tenho me questionado muito sobre isso. O que eles querem saber afinal. Em tempos de Olimpíadas, enquanto somos abarrotados de “vitórias” brasileiras em Pequim. Com locutores emocionados falando sobre os melhores resultados da história de alguns esportes. Glórias e mais glórias. Enquanto passamos pela nova campanha do “Petróleo é nosso”, enquanto nos deliciamos com índices oriundos e siglas que nem sabemos o que significam. Afinal, por que, afinal, devemos saber que a governadora teve um reajuste de 143% aprovado, que as loterias são repletas de fraudes, que patrocinadores nunca perdem. Por que devemos saber disso? Já temos as glórias e a felicidade.
Sinceramente. Nós, brasileiros, quentes na cama, não precisamos de problemas. Nós precisamos de glórias intermináveis no esporte e nos números. Aliás, esses 80% de analfabetos funcionais – lêem, mas não entendem o que lêem – quando tem acesso ao desmembramento de siglas que apontam índices de emprego, inflação e crescimento, sequer entendem o que aquelas quatro ou cinco palavras de fato dizem. Então, e eu já começo a acreditar que é esse o motivo, pra que tentar explicar o que já é inexplicável? Deixa quieto.
Sobre a cerveja
A cerveja financia campanhas políticas e alguns dos espaços mais nobres da mídia brasileira. Só isso. Se continuar corro riscos jurídicos. Sabem, hoje em dia é assim. Não duvidem que já tenhamos especialistas monitorando nosso blog. Eles esperam apenas um nome, uma situação. E nhac...
OBS: tentei criar alguns títulos para este texto. Tipo: “Um golpe na lógica pública”, uma “Lógica ilógica”, etc... Mas, se trata de algo tão “pouco” lógico que não consegui. Então, se alguém possuir alguma sugestão, por favor, não se acanhe.
OBS 2: Prometi um texto para uma amiga, mas não saiu, sério. Andi, não encontrei a lógica certa para aquilo que me solicitou. Mas, como aquilo e isso são frutos de uma mesma “lógica”, então, este texto dedico a ti, ao nobre Diogo, ao fruto, Isabelle e, claro, já que estamos nessa de dedicar, a meu sobrinho, Matheu. Ele e a Isabelle merecem coisa melhor, francamente.
Quanta observação. Mas, abraço a todos
Janquiel Mesturini